domingo, 19 de junho de 2016

Mão estendida...

É comum dizermos palavras pequenas quando o outro precisa coisas maiores de nós. É comum colocarmos a aflição do outro na fila de espera enquanto ainda carregamos a nossa. É comum passarmos por cima das dores do outro com as nossas próprias enquanto não paramos de perder a oportunidade em sermos amorosos. Às vezes nosso egoísmo entende o que o outro é como ameaça; às vezes nossas raivas enxergam o que o outro não é como inimigo, e tudo por conta da semelhança dos sintomas que apresentam e que convocam aquilo que também nos falta para estar presente e lidarmos. Talvez por isso seja mais simples medirmos o outro a partir do que não nos fará sair perdendo. Talvez por isso seja mais simples olharmos o outro a partir de nós mesmos, onde o outro sempre será o outro. Por isso seja essencial não buscarmos sempre entender ou não analisar a dor do outro, mas sermos para ele aquilo que precisamos ser para ele; sendo para ele aquilo que precisamos ser para nós mesmos: sujeitos de compreensão e compaixão. Ou do contrário gritarão as nossas feridas quando é a ferida do próximo quem tanto precisa dialogar. Ou do contrário aproveitaremos o momento do outro para expormos o nosso. Parece-me que pela guarda baixa do outro aproveitamos para nos sentirmos um pouco melhores - ou menos piores - do que estamos, e por indigna comparação. Às vezes falta perceber que podemos nos deixar para depois para darmos a vez e ainda assim estarmos juntos. A nossa mesquinhez veste-se com boas roupas apresentando-se com outros nomes para não nos sentirmos, assim, mesquinhos. E quando a deixamos de escolher, quando o outro mais precisa de nós, que nós mais precisamos do outro também: para lembrarmos que só somos amor quando o amor em exercício. E que sendo amor tornamo-nos uma via de mão dupla.

Às vezes quando mais precisamos de uma mão estendida é a nossa própria mão que devemos estender.

Nenhum comentário: