domingo, 12 de junho de 2016

Cartomantes...

Vivia ela de improvisos: encontros, caminhos, diálogos. A única exatidão de que tinha posse eram dos seus erros: encontros, caminhos, diálogos. Para ela, a soma dos erros não lhe facilitavam acertos, mas a inevitável direção dos seus destinos. Acreditava que os videntes se aproveitavam da vida medíocre de seus consulentes. Acreditava que liam nossos erros para a partir deles anteciparem outros mais e uma ou duas sortes entre os intervalos. Os acertos não apareciam contundentes nas leituras pois não lhes eram suficientes para consistentes constatações. Quão melhor a leitura dos equívocos, melhor a leitura dos possíveis. Assim se valiam as cartomantes - dos desajustes descritos na combinação das suas cartas. Apenas o amor poderia recombinar as pré-visões e salvar-nos das tristezas a que nos destinamos. O amor concede-nos a liberdade pelo despejo dos fantasmas e das repetições. O amor revela-nos a inédita porção do espírito onde não alcança nenhum cálculo sobre os amanhãs. 

O amor nos reinventa. 
E é ele quem dá as cartas.

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