Vivia
ela de improvisos: encontros, caminhos, diálogos. A única exatidão de
que tinha posse eram dos seus erros: encontros, caminhos, diálogos. Para
ela, a soma dos erros não lhe facilitavam acertos, mas a inevitável
direção dos seus destinos. Acreditava que os videntes se aproveitavam da
vida medíocre de seus consulentes. Acreditava que liam nossos erros
para a partir deles anteciparem outros mais e uma ou duas sortes entre
os intervalos. Os acertos não apareciam contundentes nas leituras pois
não lhes eram suficientes para consistentes constatações. Quão melhor a
leitura dos equívocos, melhor a leitura dos possíveis. Assim se valiam
as cartomantes - dos desajustes descritos na combinação das suas cartas.
Apenas o amor poderia recombinar as pré-visões e salvar-nos das
tristezas a que nos destinamos. O amor concede-nos a liberdade pelo
despejo dos fantasmas e das repetições. O amor revela-nos a inédita porção do espírito onde não alcança nenhum cálculo sobre os amanhãs.
O amor nos reinventa.
E é ele quem dá as cartas.
E é ele quem dá as cartas.

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