segunda-feira, 13 de junho de 2016

Azuis...

Como se pela sua boca pudesse eu saber de alguma verdade desavisada de mim. Como se pelos seus olhos pudesse eu saber entre os azuis a minha imagem. Ela é a inexatidão a que me permite enxergar. Eu sou o inexato que a ela permito entender. E são nos desencontros de cada um onde melhor nos encontramos. Aquilo que se dá na cumplicidade de um amor. Aquilo que se tem no melhor das amizades. Aquilo que se vê no reflexo das águas. As minhas armadilhas ela desarma. As suas armadilhas de desamor, eu a ela explico. Ela se despe para vesti-la com flores. Ela costura suas próprias feridas na minha carne. Eu abraço seus medos levando-os para longe. Os seus erros falam dos meus. Ela chora as minhas tristezas. Eu celebro as suas vitórias. Ela se tornou refúgio da tempestade que me descobri. E me tornei silêncio para calar seus vendavais. A minha força é a sua força porque a verdade nos faz eco, porque as ilusões nos são parentes. Ela quem confessa e sou eu que suspiro aquilo que de mim escondo. Ela se oculta e eu verso suas entrelinhas no poema. E toda vez que nos procuramos, revela-se ao outro um inédito, uma outra cor, um novo tom para os já repetidos cansaços. Eu abençoo o seu tamanho. Ela abençoa o meu. Porque vemos aquilo que nenhum de nós enxerga: as nossas próprias alturas. Como canção, somos um dueto. Onde apenas um sabe a letra que ao outro compete.

A liberdade é o carinho que a ela eu daria caso pudesse.
Dou-lhe a poesia.

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