quarta-feira, 4 de maio de 2016

Sobressaltos...

Dizia aquilo para me enganar, mas gostava muito que ele fizesse o esforço para me enganar. A dar-me colo e dizer-me flores, como se levasse carícias para o interior todo do corpo. Anunciava pequenas esperanças, muitas delas, para que poucas viesse eu a lembrar e a cobrá-lo por elas. Apontava-me pássaros como contrário aos medos, a migrarem para longe de mim qualquer um deles. E eu, com tanta impressão de enganar-me aqui sobre tudo, gostava muito que ele fizesse o esforço para me enganar. A dar-me o mundo em pequenas gotas, para que não me engasgasse com ele. Havendo tantas histórias e ruas e pessoas dava-me ele de beber o suficiente para que não me afogasse, ensinando-me a navegar aos poucos em mim mesma sem sobressaltos.

Um comentário:

Milene Cristina disse...

Um olhar para ser mais leve o todo em nós. Por vezes já o acolhi para sem pressa e sem peso saber meu caminho.