Caminho de olhos fechados entre as minhas ansiedades; atravessando-me para sair de um lugar que não me enxergo para um lugar onde não me encontro. Os medos servem-me para isto: apressar os passos e distrair-me dos próprios medos que me apressam. Uma ficção que crio a crer-me ocupado e distraído para uma vida inteira que me espera. Sentir ansiedades é uma injustiça para os agoras que diariamente pratico sem mais saber razão. Como poderá felicidade pousar entre as aflições? Engana-se o ansioso que poderá chegar na outra margem, mas sem antes se afogar em si. O medo é este convite inútil para lugar nenhum em que aceitamos fugir; uma maneira de se dar sentido à vida sem perceber qual sentido se dá.
Vivemos num carrossel que nós próprios construimos sem mais saber parar.
Vivemos num carrossel que nós próprios construimos sem mais saber parar.

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