quinta-feira, 19 de maio de 2016

Equívoco...

O mundo pensa felicidades; todas elas acusam o prazer e sofre o mundo por esta razão. As palavras usamos como resgate do que não se é tranquilo trazer às superfícies. As palavras falamos para atenuarmos intensos por as usarmos com toda a intensidade. Atiramos pedra para não nos atirarmos dela - isto fazemos. Prolongamos a palavra fertilizados por esta descoberta: ela faz por nós o que não fazemos por nós mesmos. Um pouco em cada oportunidade e vamos disto nos convencendo; convencendo-nos das palavras gloriosas. Cada som a viver por si, como alma perfeita a tocar a nossa própria como uma harpa feita de silêncios. A palavra a tocá-la e traduzi-la, escutando-a acerca das decisões para os próximos gestos; denunciando-nos mais resistente do que julgávamos, e mais frágil do que pensamos. A própria vida a admirar-se no espelho. A mentira a acreditar-se no espelho. A verdade a descobrir-se na palavra. Devoramos a música crua, o tempo sem ensaios, a dor sem preparos, o amor ainda falidos. O que não se revelar palavra, se tornará sintoma. Entendemos assim enquanto acreditamos carregar sentimentos incorretos. Morremos pelos venenos do equívoco.

Um comentário:

Poeta da Colina disse...

Talvez a vantagem da palavra escrita seja a teórica distância do coração.