sexta-feira, 27 de maio de 2016

Bonito...

O medo talvez nos seja, de alguma maneira, a primeira percepção sobre o amar, e a palavra à boca, a primeira expressão sobre o amor. O poema é um amor muito bonito; porque às palavras cabem entre outras coisas, as honestidades. O silêncio talvez nos seja o primeiro modo de sabermos, por serem os outros incapazes de discordar. Ao contrário, amor e medo são discordantes para cada uma das gentes, e equivalentes nisto: dão-nos nenhuma autoridade sobre o sentir. A única submissão de que não sofremos, talvez, seja a das palavras. Por isso falamos sobre amor como se soubéssemos. Como se donos um pouco de nós. Tudo quanto nos põe a viver tira-nos as certezas, essa segurança de que temos algum controle senão no que dizemos. Mas, nem no que dizemos temos controle, ou nem do que ouvimos. Apenas do silêncio, que confere-nos sabedorias pela inexatidão. Silêncio este que desaprendemos quando pouco depois de sermos sementes. O fruto é o poema. Um amor muito bonito. 

Um jeito de amor, e de aprendê-lo.

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