quinta-feira, 21 de abril de 2016

Venenos...

É espantosa a quantidade de coisas que jogamos dentro: adoçantes, corantes, tristezas, flavorizantes, mágoas, aromatizantes, medos, raivas e demais predadores. É espantosa a quantidade de coisas que ingerimos sem prudência: venenos que buscamos para realçar sabores do que tornou-se artificial - a própria vida - ou que permitimos que já dentro circulem em nosso sangue, músculos, órgãos, alma e anestesie-nos para coisas que não queremos realçar. Os venenos sabem como nos devorar enquanto fingimos que nada nos devora, usando-os para que se sobreponham à falta de gosto ou à dor. O essencial, deixamos de fora. O essencial, não ingerimos. O essencial, não expulsamos. Como se permitíssemos morrer aos poucos diante da inconsciência que há tanto nos sequestrou para que não mudemos os hábitos, a alimentação, o rancor, as impaciências, a falta de perdão. Mudamos a direção do que nos anula para depois nos dizermos vítimas de um coração que pelos excessos decidiu parar.

Nenhum comentário: