domingo, 17 de abril de 2016

Lucidez...

Quantas lágrimas serão suficientes a lavar-me dos escuros onde se encontra o coração? Quanto para chorar e tendo chorado secar-me, revelando-me lado até então imerso nas tristezas? Quanto de tristeza despeço e dela renovo para sempre ter o que chorar? Quanto em mim insisto e de mim desisto no mesmo instante? Quanto de mim é mar? Pois cumpro medos diários de que as memórias sejam feitas de água e eu para sempre me afogue. Quanto de mim é aridez? Pois trago receios de que minhas histórias sejam feitas de areia e eu para sempre me engasgue. A intensidade fez-me preso ao peito dessabido do quanto me falta expurgar para habilitar novamente meus amanhãs e acessar a minha própria paz. Desenham as lágrimas mapas e saídas que somente o tempo enxerga. Peço a ele calma para sentir tocarem nos pés as esperanças. Peço a ele qualquer saúde para sentir toda saudade, jamais lucidez.

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