domingo, 24 de abril de 2016

Curandeiro...

Quando o calendário nos aproxima dos encontros, doem-me as coisas todas amor. Sabe meu corpo das urgências que acumulei, dos erros presos nas teias do que não me é mais. E agora sabes tu igualmente, ao chegar e sem cerimônias acender a luz da minha inconsciência, exigindo tua presença que os dissolva todos. Deixaste-me nu e trouxeste a felicidade para o meu guarda-roupa, provocando-me lágrimas apenas para lavar engasgos e soluços somente para oxigenar lembranças. Sem a autorização das minhas contrariedades, puseste para fora versões de mim com gosto amargo, despediste meus infernos de estimação, receitando-me diariamente não me perder para velhos e estúpidos fantasmas. Trouxeste à superfície da pele, as alergias à tristeza que por tempo ocultei, de mim mesmo. Os passos da tua vinda espantaram minhas frações e convocaram-me aos inteiros.

Com tua chegada, passei-me a sentir doente. Doente de vida.
Vieste tu a curar-me, trazendo mais dela.

O teu amor é curandeiro.

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