terça-feira, 19 de abril de 2016

Concorda?

Não sejamos ortodoxos nem relativizemos tudo. 
Não sejamos preconceituosos nem xiitas do politicamente correto. 
Não sejamos coniventes tampouco intolerantes.

Viramos velhinhas moralistas, fiscais da vida alheia, do ânus alheio, do sal na mesa alheia, da linguagem que queremos distorcer e limitar para proteger. Proteger nossa burrice, claro.

Não se pode dizer mais isto nem aquilo. 
Se digo A, persigo B. Se digo B, logicamente oprimo A.  
Se digo B, excluo A. Se critico A, definitivamente defendo B.

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.  
Nem tanto blablablá, muito menos mimimi.

Onde raios se escondeu o bom senso? 

Há os que defendem o indefensável; os que alguma coisa afirmam porque todo o resto negam e os que não enxergam porque só olham para o outro lado. Ou para o próprio.

Não sejamos cegos, nem sejamos míopes a carregar inquisições e censuras por acreditarmos apenas no que queremos. Há os que defendem a verdade e não vêem que defendem uma crença. Axiomas, princípios, sistemas e livros podem tanto explicar quanto encarcerá-lo para bem longe da realidade.

A direita pensa que toda a esquerda é imbecil. A esquerda acredita que toda a direita é imbecil. Ambas acreditam que somente uma pode melhorar o mundo. 

Estou certo e o outro errado. 
Estou certo e o outro herege. 
Estou salvo e o outro condenado. 
E seja feita sempre a nossa vontade.

Não sejamos falsos humildes, tampouco arrogantes.  
Não sejamos ingênuos, muito menos maus caracteres.

Há os que argumentam sem a finalidade da reflexão. Há os que debatem apenas para impor seus pontos de vistas. Discutimos não mais para encontrar a solução ou desvendar o erro, mas ganhar do outro. E perdemos todos. 

Defendemos partidos e seus personagens com a paixão ignorante de uma torcida organizada. Tornamo-nos gado e dizemos que quem pasta é o outro.

A cada um que excluo aparecem 5 defendendo a idoneidade (?) do Lula.
A cada um que excluo aparecem outros 5 defendendo Bolsonaro como a salvação da lavoura.

Não sejamos inocentes, muito menos idiotas.
A merda, ainda que defendida por muitos, ainda assim é merda. Mesmo que perfumada.
Queremos destronar Satanás para empossar Belzebu. 

Bem aventurados aqueles que estão a tatear suas certezas. 
Bem aventurados aqueles que não insistem em justificar o injustificável. 

Como li outro dia: em quem eu preciso bater para ser expulso deste planeta? Enquanto eu não sou, a porta é serventia da casa, caso tenha se sentido dodói com o que leu.

Melhor para nós dois, concorda?

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