terça-feira, 5 de abril de 2016

Baralha-me...

Cansado de nada fazer. Cansado de ser nada. Cansado das coisas todas. Das boas e das más. Cansado dos medos. Os motivos são vários. Tantos. Não sei como enumerá-los, cansaria-me mais ainda se o fizesse porque não conheço todos os cansaços de que padeço. Bucólicos muros. Estranho-me. Não me posso adiar para outro século. Só tenho este. E é tão curto. Não sei nunca por onde. Vou daqui para ali apenas por ir. O espelho reflete um personagem sem face. Rosto sem expressão. Sou uma constante fractura exposta que não se trata.

Gasto algumas das minhas horas assim, olhando ao redor. Respiro e deslumbro-me. Mas as nuvens pesam-me e cansado fico. A claridade confunde-me. O dia baralha-me. Ideias desconexas e desencontradas surgem na noite. Fantasmas de espírito acordam-me nesta escuridão temporária. A obscuridade nasce.

Não sou o meu lugar. Não me sinto aqui. Simplesmente aceito tudo isto. Hei-de encontrar coerência em tudo e sentir o sabor de não estar só. Quero respirar mais alto.

(Antonio José Ribeiro)

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