Cansado de nada fazer. Cansado de ser nada. Cansado das coisas todas.
Das boas e das más. Cansado dos medos. Os motivos são vários. Tantos.
Não sei como enumerá-los, cansaria-me mais ainda se o fizesse porque não
conheço todos os cansaços de que padeço. Bucólicos muros. Estranho-me.
Não me posso adiar para outro século. Só tenho este. E é tão curto. Não
sei nunca por onde. Vou daqui para ali apenas por ir. O espelho reflete
um personagem sem face. Rosto sem expressão. Sou uma constante fractura exposta que não se trata.
Gasto algumas das minhas horas assim, olhando ao redor. Respiro e
deslumbro-me. Mas as nuvens pesam-me e cansado fico. A claridade
confunde-me. O dia baralha-me. Ideias desconexas e desencontradas surgem
na noite. Fantasmas de espírito acordam-me nesta escuridão temporária. A
obscuridade nasce.
Não sou o meu lugar. Não me sinto aqui. Simplesmente aceito tudo isto. Hei-de encontrar coerência em tudo e sentir o sabor de não estar só. Quero respirar mais alto.
(Antonio José Ribeiro)
Não sou o meu lugar. Não me sinto aqui. Simplesmente aceito tudo isto. Hei-de encontrar coerência em tudo e sentir o sabor de não estar só. Quero respirar mais alto.
(Antonio José Ribeiro)

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