segunda-feira, 28 de março de 2016

Silêncio...

Das verdades que fala o silêncio, estas são sempre as mais difíceis de reconhecermos. Como desaprendemos a frequentar os interiores espaços onde alma habita, não mais as vemos. Sendo o medo tagarela por demais, não mais as ouvimos. E por estarmos ocupados em outro lugar que não em nós, não mais as sentimos. Em suma, não mais comungamos delas. Assim, pelas facilidades da superfície e pelo hábito, tomamos por empréstimo alheias verdades fazendo delas nossas seguras crenças. Adotamos cada uma delas pela necessidade ou pela conveniência, visto que muito bem enfeitam aquela zona de conforto que nos dispensa da coragem e da inteireza. Tornamo-nos colcha de retalhos que não nos representa; somos muitos que não um; somos eles que não nós, defendendo ideias sem sabermos quais levam nossos nomes, caminhando sem sabermos ao certo para onde, cultivando vaidades sem sabermos o porquê. E para além da confusão em que nos metemos sem precisarmos sair do lugar, repousa este silêncio a nos integrar e curar, sussurrando liberdades, espelhos e sementes. Cumpre então permitirmos ao amor fruto ou às inevitáveis dores que encontramos pelo caminho, afinar nosso olhar e nossos ouvidos. 

Para isso, preciso é fazermos silêncio.

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