domingo, 6 de março de 2016

Encontrar-te...

Sou verso que leva o teu nome e qualquer coisa de sagrado; que empresta ao por-do-sol as nossas cores; palavras que confessam as dores que no amor ferem e falam das dores que no amor curam. Quando doemos pretéritos imperfeitos nas discussões mal colocadas; ao sonharmos no futuro-mais-que-perfeito que merecemos caminhar. Amar é mudar a alma de casa e morar no outro. Amar é também o verbo que nos faz sujeito de oração que nos lábios rezam o amanhã e nosso quarto; em que vou te rir baixinho e desenhar a tua boca com a minha língua; te respirar devagar, respeitando seus pontos finais e vírgulas; namorar cada uma das nossas reticências. Alongar meus cílios nas tuas costas, pendurar o teu cansaço nos meus ombros. Passear no teu peito e morrer no teu abrigo; nascer no teu abraço. A tua pele o meu refúgio. A tua ausência o meu naufrágio. Qual amor não quer morrer e renascer na poesia? Qual solidão não quer abandonar a sua velha boemia? Qual metade no amor, inteiro não seria? Quero desenhar com a ponta dos dedos teus desejos, apagar os escritos com meu riso. A paixão como ciranda dos corpos. Tuas mãos nas minhas mãos. A tua vida como a minha própria história. O testemunho sagrado da tua pele desnuda entre os meus dedos contornando ansiedade, curvas e vontades me guardando no teu beijo. Sentir na carne a plenitude de nós dois. Abrir sorriso como abro as janelas pra vida. Abençoar-te com o sal da saliva destas palavras de amor.

(Guilherme Antunes & Camila Heloíse)

Nenhum comentário: