Há gentes por todo lado com preconceito contra os clichês.
Tem implicâncias, aquietam-se se chegam à ponta da língua, desconversam, fingem que não são com elas e viram a cara quando uma estende a mão para cumprimentar.
Eu gosto, por isso não entendo. A vida é cheia delas. O amor é clichê, por exemplo. E qualquer destas duas frases anteriores se tratam de clichês.
Uma, um clichê sobre o que sentimos. A outra, um clichê sobre os clichês.
Vejam, não há chances de escaparmos sem esbarrar em alguma, cedo ou tarde.
Cedo ou tarde, outro clichê.
O óbvio quando se repete no tempo e no espaço condensa-se numa constatação. A constatação quando se repete na boca de qualquer sujeito torna-se um clichê. Ou ditado, que é um clichê mais bem arrumadinho e com pinta de sabedoria de avô.
Clichês são sementes de verdade que todo mundo pode levar no bolso.

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