segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Rascunho de si...

Qual escritor não teme que suas ideias sequem no chão de suas palavras e se torne ele uma aridez? Que a inspiração dê seu último suspiro, a poesia despeça seu encanto, a palavra seu charme e as mãos sua colheita? Teme o escritor não saber mais descrever suas próprias dimensões pois, despido do papel de homem, vive para realizar-se naquilo que escreve. Reconhecendo seu próprio sentido no espelho das letras, escreve o homem para não ser apenas um rascunho de si mesmo. Assim, escreve o poeta suas imensidões para ser maior que o mar, e salvar-se para além do horizonte do possível. Desespera-se em se tornar riacho, resumo, raso e sem rumo, nas linhas do seu próprio destino.

Um comentário:

Déborah Arruda. disse...

Por sorte tu estás a salvo.
Transborde mais. E sempre.