quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Da mística...

A felicidade fruto do amor é um privilégio porque singular. Trata-se de um vislumbre e de um convite em que se acessa a dimensão que somente e através do amar é possível: a dimensão transcendente dos sagrados, visto que há na resoluta e inteira entrega a absorção do amante no ser amado, experiência insólita, convenhamos. Pela natureza do amor, este revela, transforma, restaura, encanta, dissolve e perdoa. O amor que aqui discorro confunde-se com a devoção do homem que busca encontrar o sagrado não apenas no ser que individualmente ama, mas na oração, na prática da caridade ou na meditação. O amor entre dois como comunhão poderá brindá-los com o lampejo da lucidez em saber-se que o amor para além de dois abarca e constitui a relação entre todos os seres, revelando o plano vertical da existência, não estando mais restritos a horizontalidade que atravessamos todos no espaço e no tempo. Em outras linhas, o amor há de nos conceder eternidades. O que aqui digo em parte é experiência e confissão, em outra suspeita, em outra esperança. Por isso creio que o amor poderá ser a ponte para além das formas, a porta para o que forma não possui, mas que por necessidade nomeamos como vida, supremo, realidade, Deus, etc. O amor retira-nos o véu e dá-nos as verdades na beleza oculta das coisas mesmas.

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