quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Reeducação existencial...

Anda me convocando a vida para que a enxergue mais bela. Pediu-me para isso a cura, não dos meus olhos, mas do próprio peito. A receita que passou tempos sussurrando no ouvido só foi realmente ouvida quando me doeu sorrir e custou sonhar. Trata-se do perdoar para resolver-me com o passado e do perdão a me permitir ainda melhor no futuro. A seguir dito o que muito provável virão a perceber nesta jornada caso assumam prossegui-la: a leveza como inevitável sintoma a acontecer-nos por atravessarmos este processo alquímico e corajoso de transformação em trazermos à luz o que por tanto mantivemos nas sombras, para então podermos de vez nos despedirmos, inclusive dos apegos às versões de nós que um dia escolhemos e não mais nos serviam ou nunca serviram realmente. A honestidade conosco mesmo será valor que não permitiremos novamente perdê-la, para não nos sujeitarmos ao que jamais mereceríamos mas que ao final nos sujeitamos, colecionando as mais diversas mentiras, sejam as que escondemos por entre as camadas profundas de nós ou as que contamos aos outros para que nos convençamos do que gostaríamos de ser mas desgostosamente não somos. A doença como anúncio das metades que insistimos em caber, das frustrações que apodrecidas insistimos em acumular e das mentiras que insistimos como verdade tornar-se-á a compreensão necessária para a limpeza dos males e abandono das defesas que criamos para não mais doer e que acabaram doendo-nos muito mais. A gratidão será a filha deste novo relacionamento conosco e que com carinho nos aproximará ainda mais da vida, que por tanto tempo nos distanciamos ao entulharmos no espaço sagrado entre nós e ela - onde a própria vida acontece -, culpas, ressentimentos, mágoas, raivas e medos que colecionamos ao longo dos capítulos e tristezas mas que não soubemos como antes dispensá-los. Anda me convocando a vida para que a enxergue mais bela. Torno-me eu mais belo para então enxergar a vida.

Um comentário:

Suzi Amaral disse...

Estas tuas palavras assemelham-se a uma oração. E se de verdade chegar a cabo daquilo que ela manifesta em seu cerne, terá parâmetros, terá escolha, terá respostas. Auguri!