terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Quando se...

Quando se percebeu amando - verbo este deliciosamente posto no gerúndio - havia ele já cruzado passos da sutil linha entre qualquer coisa e o amar. Pudesse esta qualquer coisa antes ser paixão, entusiasmo, desejo, afeto, dedicação ou estes todos e outros mais catalogados. O que agora era, era a soma e a exata descontinuidade disto. E não seria o tempo a legitimar o amor. E não seria palavra vinda da boca a iniciar o tempo em que se ama. Quando se percebeu amando, havia já colhido em silêncio o fruto da árvore sem se dar conta. Quando se percebeu amando, percebeu apenas porque já se era outro. 

Caia o homem no abismo para elevar-se, dando por si nos seguintes dias do seu próprio renascer.

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