terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Embriagavam...

Apontava no outro os vazios que ela mesma carregava e carecia preencher. O que não se permitia perceber era a semelhança das ausências que com as ausências do outro dialogavam. Não enxergava que no outro faltava o que nela também não havia. Assim, apontar era um jeito de distrair-se de si e nada fazer; pois ao reclamar não escutaria as verdades que lhe caberiam entender. E o que também mal sabia é que assim seriam todos os seus encontros: sempre um espelho.

Fosse um espelho apenas confirmando a si própria ou um espelho a convidá-la a reconhecer-se e aceitar-se com tudo o que se é e o que não se tem; inevitável início para buscar ser outra que ainda não havia sido e inesperadamente encontrar consigo mesma como jamais houvera antes encontrado. Isto por até então estar ocupada demais com o vazio seu que no outro lhe incomodava.

Bebia ela como bebiam os outros dos seus próprios reflexos. 
E eles todos se embriagavam.

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