domingo, 20 de dezembro de 2015

Café...

Procuro por um poema que te dê início; pelo verso que te celebre. Procuro insistentemente pela página que te explique com a mais palavra das ternuras. Mas tu não estás nas letras. Mas tu não estás nos livros. Tu estás em mim e isto explica tudo, visto que não há história tua antes de nós, exatamente por não ter eu história alguma antes de ti. Inventei-me outro para aprender a navegar ausências e atravessar demoras. Inventei-me num passado sem outra utilidade senão para alcançar-te. Ganhei nome apenas na tua boca; existência somente nos véus do teu corpo. Apenas e depois de ti, aprendi a desejar. E o que lhe dou continua meu como nunca antes houvera sido. Aquilo que somos, mistura-se e existe em todas as partes: isto deve ser alguma coisa de amor. Pois só tu sabes onde moram os meus milagres. Só tu sabes como trazer-me às borboletas. Os teus olhos tem tons de céu e isto deve ser definitivamente alguma coisa de amor. Veja, a chuva insiste em cantar para nós. As nuvens em sonhar para nós. O café em se perfumar para nós. O silêncio em se declarar para nós. A tua voz tem o mesmo som das alvoradas. As tuas cores todas feitas para a beleza. As sombras todas nos são descansos e porque tuas mãos em mim hoje haveriam de nascer os pássaros. Isto deve ser sim alguma coisa de amar. Porque há flores, cheiros, raízes, orgasmos, promessas, ventre, poema, verso e página que te celebram enquanto os meus silêncios todos cantam para ti. Se realmente isto é coisa de amar, então és o amor onde nunca me dói.

(para ela)

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