quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Banheiro...

Grita-nos a verdade durante todo o tempo, mas quem se dá ao luxo de ouvi-la? Quem se permite atenção para entendê-la? Somos como o homem a ignorar o mendigo que insistente nos chama apenas para avisar-nos que a carteira do bolso caiu. Não olhamos para a verdade porque mesmo sendo bela poderá ela se parecer conosco, e assustados, descobriríamos que somos aquilo para o qual nunca olhamos. A verdade conosco caminha nua mas, ah!, nossos pudores correm a cobri-la toda com as mais enfeitadas mentiras, crenças e ideias. Ainda que não caibam. Ainda que velhas. Ainda que rotas. E disfarçados dos personagens astuciosos de nós mesmos, insistimos saber somente os diálogos que nos convém, sussurre a verdade outras tantas linhas nos bastidores a completar o espetáculo. Afinal, o que nos sobrará sem as histórias que sustentamos, as vitórias que contamos e poses que mantemos? O que me pouparei de doenças e sintomas a dolorosamente confessarem verdades que a força calei e reprimi? Qual verdade então me restará sem as verdades que fingi? Quem seremos sem as virtudes que encenamos? Sem ter o quê com o que convencer, o que nos revelará o espelho do outro? 

Por ora, contentamo-nos apenas com o do banheiro.

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