terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cuidado...

Cuidado: a infelicidade quando muita na vida, afoga-nos para dentro de nós, criando risco de se desesperados, agarrarmos qualquer coisa ou pessoa que para nada nos serve ou ajuda. Passamos a viver o velho ditado: para quem está afundando, jacaré é tronco. Um tronco existencial e afetivo, no caso.

A carência deve ser compreendida como um pedido de socorro de nós para nós mesmos - e não um estado de mendicância - para não nos deixarmos à deriva, e recuperarmos o amor próprio que em algum momento da jornada se perdeu ou foi atirado ao mar por alguém que permitimos após convidarmos a embarcar conosco.

Há marés interiores que se tratam de avisos de retorno à terra firme. A alma sempre pressente as tempestades.

Sem amor próprio, entulhamos lixos e desencontros, nomes e desesperanças que aumentam enquanto nós diminuímos, conforme o tempo passa e nada muda.

Sem amor próprio, não adianta. Não haverá porto que nos deixe aportar em paz.

É apenas com o amor próprio recomposto que retomamos a dignidade. Dignos e sentimo-nos suficientes para então abandonar misérias que atraímos sem nunca nos pertencer, despedindo personagens que não cabem mais em nossos cenários, descartando cenários que não cabem mais em nossos amanhãs.

De posse do amor próprio, contamos nossas próprias histórias.
Sem ele, somos apenas rascunho.

Um comentário:

Poeta da Colina disse...

Muito bom! Pura verdade.

Cada um conhece as saídas de sua alma, não adianta se esconder atrás da dor para se agarrar em sentimentos que não existem mais.