quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Tola...

Parecia ela precisar repensar sempre seus sentimentos para que se mantivessem afinados com a dor. Eram as releituras de sua miséria a esmiuçar os próprios erros e os alheios que lhe afetavam, ensaiando e repassando diálogos e outros pretéritos incômodos, prendendo-se a cada um deles, fosse pela culpa ou pelo ressentimento. Bebia ela o veneno da frustração, da raiva e da tristeza. Era assim como cultivava sua tolice. Sentia-se tola, definitivamente, não conseguindo deixar de ser apenas por se saber que é.

Nenhum comentário: