segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Para calar-me...

Não me atreveria ensaiar palavras de impacto - como vejo tantas por aí - a declarar amor aos teus olhos, justamente por seres tu a leitora. Liberto-te dos clichês amorosos açucarados meu amor, embora paradoxalmente vivamos todos e cada um deles no dia-a-dia.

Quão descabido são os expedientes do mais do mesmo que usam os amantes para afirmar união e jurar fidelidades? Pergunto em nosso caso: afirmar o quê? Não venho cá afirmar aquilo que o nosso amor sabe o que é. E se se encantam os outros com o que escrevo, é por mera casualidade, pois, pensam que vivem o mesmo que nós e se encontram aqui refletidos. A única semelhança entre eles e nós é que também somos um casal.

As palavras vendem coisas - e por sinal prometem mais do que entregam - tais como suspiros e certezas. Mas as entrelinhas confessam verdades, e outras coisas pela razão exata de serem entrelinhas. Costuro palavras que apenas em ti caem bem, embora as tentem vestir os outros. Apenas tu podes decifrá-las. Decifrar-me. Beber de mim e matar a sede. E peço que tu leias no silêncio do nosso quarto depois do orgasmo. Encontrarás no meu corpo e no abraço aquilo que sempre declaro sem nunca dizer.

As palavras são os pretextos do amor para calar-me.

Um comentário:

Carol Russo S disse...

concordo que as palavras não dedicam integralmente o que prometem e acho que o amor é fomentado sobre gestos, olhares, sentidos e sentimentos!

primeira vez aqui e gostei muito, Guilherme! você narra de forma [ir]racional o amar.