domingo, 30 de agosto de 2015

Destino...

'Desde quando felicidade é destino?' - pensava. As pessoas faziam coisas com ideias exatas de cumprir roteiros como se ao final felicidade as aguardasse. Como se fosse conquista, como se devêssemos exaurir tristezas para o devido merecimento, como resultado direto de acertadas escolhas. Não conhecia quem houvesse aportado na felicidade. Não conhecia quem a houvesse buscado e pela busca encontrado. Assim, tinha direitos em desviar-se das tristezas. O desvio mesmo lhe era uma pequena felicidade. Como todas as outras felicidades. Pequenas. Como todas as grandes felicidades.

Não importava.

2 comentários:

Wendel Valadares disse...

Toda pequena felicidade é uma grande felicidade, só depende do ponto de vista.

Aliás, já dizia Guimarães Rosa: "Infelicidade é uma questão de prefixo". Podemos completar então que felicidade é uma questão de desvios.

Um abraço.

ivani ramos disse...

Que bárbaro, Guilherme! Adoro seu blog. Há cerca de +- um ano que venho todos os dias fazer-lhe uma visita e passear meu olhar em seus textos e poemas. É um deleite à sensibilidade. Você tem razão ao quando aborda a respeito da nossa, às vezes, conformação com a infelicidade. De fato é isso: "Sem amor próprio, não adianta. Não haverá porto que nos deixe aportar em paz." Adorei. Obrigada por compartilhar seus encantos.