terça-feira, 11 de agosto de 2015

Da vida e dos destinos...

Quis moça desavisada deixar seus encontros e querências todas nas mãos do destino. Acreditava que se assim se cumprisse estaria ela abençoada com cenários e personagens quaisquer que lhe cruzassem, legitimada a esperar desde agora as oportunas resoluções de suas questões e intrincados labirintos, facilitada a aceitar amargos que não previra e agradecer pelas alegrias que não planejara. Mas, o que é o destino senão uma ideia, um conceito? O que é o destino senão um nome? Onde estaria senão nas páginas da literatura e dos dicionários? Não sabia moça que dava vida à vida, tirando vida de si para isso. Não percebia que à abstrata ideia dos destinos dava-lhe substância, forma ao conjunto impreciso dos seus amanhãs, consistência às possibilidades e personalidade a um ente criado pela linguagem do homem a quem passamos a confiar a revelação das escolhas do que (acreditamos que) não escolhemos. Diminuímos nosso alcance por conta própria ao transferirmos a quase inteira responsabilidade das nossas ações à esta ideia sem braços, dando-lhe o poder de ditar-nos muitas das vitórias, fracassos, perdas e coincidências, frutos talvez de um mero capricho ou da experiência que pensa este tal destino ser necessária a dar sentido ao nosso caminho. Não percebia moça a ilusão de que todos sofriam, e que as mãos do destino eram as suas próprias mãos, não podendo colher no amanhã se não fosse ela a jogar desde já suas sementes.

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