Cuidado com este homem que teceu no ventre do próprio nome, armadilha da fêmea encarnada, distraindo com enganos de gênero, os desavisados olhos que não sabem que antes de nascer o mundo, poesia nasceu mulher. Assim, Emílio sagrou-se Mia no amanhecer. E cuidado pois tenho seguros receios de que ele nos roubará todo o encanto das linhas, sobrando-nos apenas um arredondado nada aos mundanos poetas como nós, contentando-nos todos com triviais fonéticas, desencontros consonantais e finitas reticências. Cuidado com este gajo que cultivou nas mãos, as mágicas competências que muito bem conhece seu povo. Que fez do ouvir, abensonhada estória a se escutar. Que fez das infinitas funduras do céu de dentro, o último voo do flamingo. Que ao contar dos seus próprios passos, deu um outro pé à sereia. Que na tradução do seu próprio continente, fez confessar a leoa. Cuidado com este homem que se legitimou nas paternidades da poesia e, armado de doçuras e sabendo-nos apaixonados por ela, concedeu permissões para a visitarmos, ficando de namoricos no muro que separa nossa alma, da sua casa chamada terra. Prendamos definitivamente este homem para eternizá-lo na berma de nenhuma estrada, onde caminham as literárias vozes deste tempo.
(Palavras a celebrar o aniversário do homem que andou a ensinar-me as desenvolturas de afinar palavras)
(Palavras a celebrar o aniversário do homem que andou a ensinar-me as desenvolturas de afinar palavras)

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