terça-feira, 30 de junho de 2015

Atenciosamente...

Onde fecho a torneira? 
Onde se encontra o registro? 
Como se tapa o buraco? 
O lugar por onde me sai o excesso de vida
é o lugar por onde me entra o excesso de mundo.

A não sentir tanto,
a não pensar muito,
a não me doer todo,
a não viver demais

alguém me dê a medida,
alguém aponte com exatidão:
Como devo sentir o que sinto?
Como devo pensar no que penso?
Como devo morrer no que deve partir?
Como proceder com o que resolveu ficar?

Alguém me conte como se comportar.
Como é não morrer sempre pelo exagero
com um intenso cravado no peito,
por um transbordamento a sufocar-me 
a própria alma.

Por favor, dêem-me a cura das alternâncias,
das incongruências,
das contradições,
dos altos e baixos.

Aceito dores de parto
a livrar-me de vez destas angústias.

Atenciosamente.

3 comentários:

Lúcia Mel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lúcia Mel disse...

Eu também queria ser pragmática é para o poema 'Pragmático'...

Poeta da Colina disse...

Não há doses recomendadas de vida, e seu oposto só tem dose única. O tratamento é contínuo e incerto: Sentir, efeitos colaterais: amor e dor.