domingo, 8 de março de 2015

Destituído...

o homem bebia.

o homem bebia para esquecê-la tanto quanto para lembrá-la.
o álcool como a tirar-lhe a lembrança para devolvê-la depois. ou o contrário disso.
o álcool para desinfetá-lo das fundas dores e lustrar o seu recente amor antigo.

o homem bebia para ficar mais longe do ontem.
aos goles, acentuava as inexatidões.

com as palavras de bêbado, falava para se ouvir.
enchendo a garrafa de flores a fazer-lhe um jardim para o descanso.

"quando melhorar, quero ser longe" - dizia.

era o homem como todos nós: tolo.
apenas destituído de sua lucidez.

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