domingo, 22 de março de 2015

Calem-nas...

Calem as palavras. Aposentem-nas! Pois não acredito em nenhuma. Prometem aquilo que não somos. Lindas, embriagam-nos. Sinceras, enganam-nos. Basta confrontá-las com a realidade, com a dificuldade, e se estilhaçam, caem por terra, esquecem-se de ser o que prometeram no instante que esquecemos de ser aquilo quando prometemos. Quero uma palavra que me acompanhe por entre as sombras e banque a si sua existência. Quero a palavra que descanse e não me dê apenas a ideia de alívio. Quero a palavra que alivie e não me dê apenas temporária anestesia. Quero uma que valha mais que os silêncios. Amor declarado não é o suficiente. Perdão declarado não é o suficiente. Quero o amor em prática, a sinceridade empírica, o cuidado e a atenção vividos no verbo realizado. Insistimos em sermos aquilo que nos impede de sermos melhores. E falamos sempre o contrário.

Toda desculpa é palavra.

Um comentário:

Pipa disse...

Belíssimo! E por isso mesmo, não as deixe calar-se...

Desejo-te palavras e beijos.