segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Desistir dos olhos...

O amor acaba quando poesia desiste dos olhos. O amor se despede quando janela se torna janela apenas e as estrelas, pontos no céu; quando sonhar se faz tão-somente intervalo entre os dias. O amor acaba pela reincidente aridez de dentro, por laço que endurece, espinho que cativas, ferida que cultivas, distâncias que nascem entre nós e a vida, entre nós e o outro. E o que dizer do amor que jamais morreu por não ter fim mas que hoje deixou de ser? Qual linha, palavra ou ausência traça o limite entre o que éramos do que não mais seremos? Talvez o amor só deixe de ser por nunca ter sido o que havia de se tornar: amor.

A poesia acaba quando amor desiste dos olhos.

(escritos de 2012)

2 comentários:

Poeta da Colina disse...

Amor acaba, mas o impede de durar uma vida.

Eduardo Piereck disse...

Sentimentos autênticos são a marca registrada dos que almejam alavancar sua consciência. Tal qual o pássaro em pleno vôo, tome nota de tua garantia e direito, estrelando por tal área demarcada em teu próprio coração. Convido-o a conhecer www.sentidosplenos.blogspot.com