terça-feira, 23 de setembro de 2014

Teatros...

Sem saber qual o caminho, como acertar os passos? Sem saber qual o enredo, como ensaiar as alegrias? Depois de você, vivo cansado e de improviso, num lugar onde qualquer cômodo é porão, no tempo em que qualquer noite é inverno. Lembrança é tortura, perfume é espinho e sorriso é pecado. O vento tudo leva mas nada traz, e basta pensar-te e vem-me as tempestades todas, o desespero, o afogamento a me consumir nas marés que arrastam-me para longe da terra firme, dos nossos planos, de algum descanso, de mim mesmo. Não trabalho mais com as esperanças. Abundam mais desilusões em minha vida do que nos teatros. Há mais tristeza no peito do que nos cemitérios. O mundo agora anda sereno, pois resulta que todas as coisas em mim estão mortas. Se ao menos eu pudesse dormir sem sonhar, viver sem sonhar, respirar sem medo. Atravesso minha existência sem sua comoção, despedindo-me do sentido que dei aos meus passados e inícios. Queria era apenas buscar um final feliz, ainda que eu tente acreditar que não possa haver nenhum final. Exatamente para que não seja tarde demais.

2 comentários:

Anônimo disse...

Guilherme,

Não existe um 'final', pois a cada dia renascemos mais fortes para enfrentarmos o vazio deixado por quem amamos de verdade. Façamos desse amor, que cresce através de um abraço, um elo para que outros sejam livres e façam suas próprias escolhas... Então nos renovamos para um novo patamar: do Amor Universal!

Abraços,

Ana Cristina

Poeta da Colina disse...

O anônimo bem disse. Final feliz, é uma mal interpretação da felicidade, como se só pudesse existir sorriso no fim. Acaba a procura talvez, mas a felicidade é para se viver.