quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sabermos nós...

O poeta rouba dores do mundo a confessar as suas próprias; empresta-se de veladas tristezas para devolvê-las nítidas e intensas às palavras. Vende socorro sem salvação; mas se dói e se doa para levar aos olhos outros, desmedido alívio. Antevê amores e suspiros que precedem encontros; descreve tragédias e dúvidas que antecedem o existir. O poeta adoça o real ainda que testemunhe amargos. Coleciona horizontes a enfeitar rua-sem-saída onde mora. Veste-se com seu tamanho a dimensão das grandezas. Sincero às mentiras que conta e encanta, versa sobre os sonhos da semente, pecados angelicais, flores, naufrágios e céu azul. Ainda, porta-voz das sublimes verdades que nunca alcançou, faz dos seus silêncios a autêntica afirmação da vida. Escreve no concreto, o abstrato. Gradua-se no coração alheio e no seu próprio peito. Assim, usa-se o poeta das letras como desculpa para saber de si. Sabermos nós.

3 comentários:

Poeta da Colina disse...

Ë muito importante para alma humana saber que não dói em solidão.

Dri disse...

Olá Guilherme, encontrei seu blog por indicação de uma pessoa que amo de paixão, e que surpresa encontrei aqui, tão lindas palavras que nos fazem voar longe em nossa imaginação. eu copiei dois poemas seu e coloquei em meu tumblr claro que com seus créditos... Amei cada palavra escrita... Lindo seu dom... Parabéns

B. disse...

Dizem que poetas são solitários, mas na verdade, são rodeados por pessoas que os leem. Pessoas as quais, conseguem entender suas emoções. Acredito que há uma troca nisso.
Adoro seus textos, suas palavras.