domingo, 24 de agosto de 2014

Luto...

Morrem apenas aqueles que matamos dentro. Nem a morte com sua imponência pode matar aquele que vive em nós. Ela, na pior e única das hipóteses, leva-nos para longe de quem amamos, mas não mata nenhum dos envolvidos. Dói-nos exatamente por isso, porque não há realmente morte na morte, há apenas uma separação, uma permanente ausência. Não morremos, nenhum morre, apenas o luto em nós define a morte. Só podemos matar e morrer em caso de amor, isso quando o amor já moribundo, pede-nos clemência para o matarmos e a decência para morrer, para morrermos em paz, caso contrário igualmente em paz não viveremos, com aquilo que não respeita a hora de sua morte e mantém-se vivo com ajuda - artificialmente - de atalhos e remendos e mentiras e metades nossas. Por isso quem morre, continua a viver. Só quem matamos, morre. E quem amamos, vive também. O amor sempre trará a vida. Ainda que ela não nos sirva mais.

2 comentários:

B. disse...

A ambiguidade de um dos temas mais complexos da vida. A morte está quase sempre atrelada ao amor, seja no sentido simbólico ou no sentido real.

Solange Duarte disse...

bom dia!

bjs.Sol