terça-feira, 8 de julho de 2014

Sobretudo...

Aproveita-se da tristeza a poesia, mas não eu. Peço a Deus que delas me dispense. Se puder, não sinto. Se precisar, não escrevo. Se necessário for, calo-me para que a palavra dita não me arranque a dignidade que me permitem os silêncios. Calo-me para que nenhum sentimento corte por tornar-se pontiagudo verbo. Calo-me para que nenhum olhar de compaixão me atravesse ou em mim ecoe. Calo-me como devem calar-se os que morrem. Sobretudo de amor.

3 comentários:

Poeta da Colina disse...

Ainda não entendo, mas a dor é mais solidária que a alegria.

Alexandre Lucio Fernandes disse...

O silêncio diz tanto do amor quanto da dor. Ele nos permite a dignidade em todas as instâncias, mas na tristeza ela às vezes se acentua (confortavelmente) mais do que palavras extraídas com pinça...
Se para alguns a (triste) poesia alenta, para alguns alimenta.

Calar-nos, sob esses argumentos, faz sentido. Melhor que o som nos falte para que a dor fuja sem ser notada e não sirva de templo para alheios lamentos. Sobretudo, os de compaixão.

Lindo texto meu amigo.

Abração!

B. disse...

Intenso como sempre. Adoro como você dispõe as palavras, seus sentimentos transbordam. Identifiquei-me muito com o texto, denota o atual momento da minha vida.