segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sobre o enraizamento...

O amor-próprio é um enraizamento, uma sutil segurança existencial dada a nós e por nós que melhor se evidencia quando nos falta o chão e sobram-nos as tempestades. Nas condições ideais de casa arejada e céu azul, ignoramos sua estadia em nosso interior. Mas vivemos por conta das facilidades na superfície, em que apenas outros olhos nos veem e nos definem, uma vez que somos quase todos nós cegos e desenraizados. Enraizar-se é (re)conhecer. Enraizar-se é saber-se onde. Assim, não há certezas para além das declarações críticas ou elogiosas que tecemos numa tresloucada repetição, para alcançarmos um frágil convencimento (e nenhum conhecimento) de que sabemos o que alguma coisa é ou deixa de ser dentro de cada um. Sofremos, pois nos condenamos ou nos festejamos em maior parte através da condenação ou do festejar alheio em relação a nós. O sabor do fruto deixa de ser a vitória da plenitude da árvore, tornando-se apenas um capricho do paladar de quem o reconhece, gostando-o ou não.

2 comentários:

Nayara Fernandes disse...

É necessário nos saber entre nós e amarras; azedos e amargos; doçuras e levezas; acarinhos e achegos. É necessário nós mesmos termos um olhar para dentro: nos autoconhecer antes de nos autossabotar. Depois nos vestimos do olhar alheio.

Mas isso aprendemos com a prática, e mesmo praticando nunca saberemos. É difícil conviver com nossa realidade nua.

Poeta da Colina disse...

Onde enraizar-se, eis a questão.