segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A asa para o abismo...

O Amor quando vier, inevitavelmente nos deixará expostos, desnudos e escancarados para o reflexo que sempre nos traz o olhar do amado, desarmados por nos reconhecermos para além dos nossos interiores segredos. Mover-se no Amor é a nossa própria confissão. O Amor nos convidará para dançar mas, em caso de uma eventual e teimosa recusa, nos arrancará para longe dos nossos habituais confortos. O Amor é a mais incerta das garantias, que nos pedirá verdade em troca das histórias que contamos para nos distrairmos, acomodarmos ou nos satisfazermos com metades, feitas de espinhos ou desbotadas cores. O Amor é a asa para o abismo.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O fio que tece a Alma...

Depois que ele se separou, passou a levar mais o totó pra passear e aprendeu a separar seu lixo. Quando ela voltou a suspirar pelo Amor, decidiu fazer sonhada viagem e passou a dar mais atenção ao filho pequeno. Após o acidente, ele melhorou a relação com a mãe e cultivou roseiras. Quando ela tudo perdeu, arriscou pedir aumento ao chefe e aprendeu a falar italiano. Assim que a irmã passou no vestibular, decidiu parar de beber e de fumar. Às vezes os diversos fatos na nossa vida, aparentemente desconexos, são as reais razões pelas quais vestimos novos papéis e abandonamos velhas posturas, ao experimentarmos outras e inéditas versões de nós mesmos, sejam elas mais saudáveis ou não, quando uma descontinuidade qualquer nos convida ao recomeço. Há um fio invisível de possibilidades que tece a Alma, bordando nossas histórias, entrelaçando nossos encontros e desenhando assim, os nossos destinos.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Desembrulhar...

Toda criança vê desnuda a poesia das coisas. Quando adultos vestimos razões e conceitos, crenças e lógicas que muito nos pesam e se põem entre nós e as coisas mesmas. Assim crescemos e desaprendemos a ver; com o tempo crescemos e esquecemos de como ver realmente. Daí que enxergamos a Vida através e pelo outro lado das nossas ideias, que desbotam as vivas cores e formatam nosso enxergar para os pragmatismos e para a repetição das trivialidades. O poeta é uma lembrança de que vez ou outra precisamos nos desembrulhar e desempoeirar o olhar, encontrando-nos disponíveis para os milagres e imensidões viventes além da janela do nosso cotidiano. O poeta é um convite para deixarmos de lado o cansaço e as seriedades refletidas nas desgastadas lentes da Alma. O poeta é um rememorar que nos diz que a poesia nasceu com os olhos.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Se ele está...

Se o Amor está, celebro na poesia a sua visita. 
Se o Amor não é, nas linhas verso então suas ausências.
Porque sempre cantaremos suas cores ou lamentaremos a sua sombra...

domingo, 11 de agosto de 2013

Pai...

Pai é esse pedaço de Amor em nós, que vem antes de nós, e que sabe mais.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O-que-mora-dentro...

Como não sabemos o valor do que mora dentro; como não nos ensinaram a enxergar o que somos e quem realmente somos, através dos olhos dos outros nos reconhecemos. O nosso valor então, deixa de ser intrínseco e se torna fluído numa precária verdade, por aquilo que vestimos, pelo carro que compramos e pelo que demais ostentamos. A nossa medida é dita pelo que temos e não pelo que somos; coisa que ninguém, além de nós mesmos, podemos saber. A riqueza é mero reflexo da superfície; frágil por sinal. Assim, um sopro, um elogio ou uma crítica sempre nos atingirá e nos balançará, sejam elas sinceras ou não. Bem aventurados aqueles que fecharam os olhos e então souberam quem realmente são, para além das coisas do mundo.