quarta-feira, 31 de julho de 2013

Sentido...

De quais verdades nós fugimos? Com quais mentiras nós fingimos? Qual coragem não usamos? Com que prazer nos distraímos? Com qual distração nos esquecemos? De quais virtudes não lembramos? Quais os amores não amamos? Qual parte da Alma nós vendemos? Com que tristeza nós vivemos? Qual alegria ignoramos? De qual passado nós morremos? De que amanhã nos despedimos? Quais das levezas nós sentimos? Qual dos tantos pesos carregamos? Quais apegos namoramos? De qual saudade nós sofremos? Quais os venenos que tomamos? De quais espinhos nos curamos? Quais são as bençãos que escolhemos? Com quais crenças enxergamos? Qual o perdão que exigimos? Qual dos pecados perdoamos? Com o quê, a cabeça esquentamos? Qual das perguntas faz sentido?

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Receitas...

Logo eu que dizia saber, não sei mais onde quero chegar; e não me peça pra diminuir o passo, o ritmo, a angústia. Tenho pressas para fugir de mim, mas fujo sem entender. E enquanto não sei, finjo, engano e me diluo no que sou, porque eu sou, eu mesmo, o meu melhor disfarce. As minhas verdades se demonstram no que não faço. Eu me visto e me apresento de tudo que é avesso, e faço de conta que quero ser o meu melhor, quando passo o tempo tentando juntar os meus pedaços, manter a lucidez, a coerência e não me afundar no abismo de um fracasso ressentido, mas resignado. Divido minha atenção para mendigar a sua mais tarde. Eu sou um varal de conveniências que escolho conforme a ocasião de minhas fraquezas ou interesses. Exagero os fatos que me convém, ignoro aqueles que me trarão dor. Eu me dissolvo em histórias paralelas que eu mesmo conto para me distrair e não me encontrar com a dor; para que a culpa não saiba meu endereço. Assim, não assumo meus compromissos, minhas promessas, meus sentimentos, meus laços. Não honro nem sustento, rescindo, conforme o peso ou calo no meu pé ou um incômodo qualquer. Eu exageradamente me doo para não doer. Carrego receitas para todos os males, menos os meus, e vendo-os sob o pretexto do carisma. Eu sou um inconsequente levando tudo às últimas consequências. Eu sou ótimo na mesma medida em que sou péssimo. Eu quero que você seja feliz contanto que não seja mais do que eu. Ainda mais se você habitar o meu passado, tenha a fineza de estar um degrau abaixo de mim. Se você não tem mais lugar para continuar no meu coração, então tenha a decência de não se encontrar mais em nenhum. A felicidade alheia evidencia a minha miséria. O seu suspiro confessa a minha desinteressante vida. Por isso sou feito de remendos, viciado em pequenos prazeres que coleciono apenas porque são novidades. Eu sofro dos tédios da conquista, sintoma de Alma desbotada que não se encaixa nos planos do dia-a-dia. Sinto um prazer oculto em me afundar neste mar. Sou habitante de adiados sonhos, e sou uma precariedade; um adiamento constante para ser melhor. Sofro para me despedir até do que não me serve mais, mantendo minha quota de liberdade viva com a ajuda de ilusões. Renunciei a esperança de ser inteiro. Eu queria um Amor que nunca mais soube sentir. Queria qualquer coragem que me livrasse de ser esta metade que me anestesia e me consome inteiro. Eu só tenho morrido exatamente por não viver. Passei a achar normal não ser feliz.

[...] no vão entre as palavras habitam nossas verdades. As palavras são, muitas vezes, pretextos para silêncios que nos confessam. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Morar aqui...

Vivemos incessantemente percorrendo lembranças e expectativas, diariamente habitando o que era e o que poderá, cansando-nos com o que foi e com o que deveria ser. Entre desejos e nostalgias, planos e recordações, somos. Somos preservadas memórias e cultivadas esperanças. Somos pêndulo alternando sem parar entre o passado e os nossos amanhãs. Entre os possíveis e o inevitável, nos perdemos. O que nos sobra para ser no agora? Quando ansiedade é sintoma? Quando insatisfação é constante? Nós quase nunca moramos aqui...

terça-feira, 2 de julho de 2013

Milagre...

Quem sabe eu aprenda a cultivar cuidado e olhar com mais atenção meus laços e meus caminhos. Há um intervalo entre aquilo que em mim é e aquilo que deveria ser. O que faço e escolho vivem a uma distância considerável do que eu quero e desejo. Mas com aquilo que tenho e com o que sou, teço meus trapos com ideia de manto para quando ventania, sonhar em ser apenas sussurro a te serenar. Costuro remendos com ideia de rede a me descansar dos descasos do tempo e junto te embalar. Sou atrapalhado mágico com planos de milagre. Sou um desensaio dos tons de cinza. Sou alguém que não sabe o que fazer direito com o Amor mas que busca por um de qualquer jeito. Quem sabe um dia eu descubra, e aí serei um nome querendo ser prece, a viver nos teus lábios quando o meu Amor te visitar.