quarta-feira, 26 de junho de 2013

Se a palavra...

Se palavra for a semente que em nós floresce, o descanso que em nós se sente, um abraço que ao outro serve, o carinho que em nós nos veste, o aconchego que o outro pede, uma cura que a dor despede, o convite que em nós nos leva, uma prece que a alma eleva, ou um silêncio que dissolve os nós, seja lá o que for que tenhamos dito, teremos realizado o nobre e encantatório ofício da palavra em ser Poesia.

sábado, 22 de junho de 2013

Hora marcada...

Eu vivo imerso dentro de mim, sendo engolido pela minha própria Vida, pela falta de tempo e de agenda, pelos meus laços, nos meus amores, nas minhas escolhas e nos meus desencontros. Às vezes não me permito mais para que dissolvido no que me atrai, eu seja menos. Às vezes não permito que entrem, porque a qualquer minuto eu saio, e sem qualquer aviso. Às vezes você vem e eu não estou. Você se distrai e então eu abro a porta. Sou uma divertida ausência, sem as seriedades e protocolos que pedem os outros. Sou uma sincera inexplicação, com certos vazios de que gosto e alguns preenchimentos desnecessários. E sou feito das essencialidades que busco e que também me completam. Para estas, eu já tenho o endereço e hora marcada.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Revoluções...

Que o amanhã seja palco para as nossas revoluções, sejam elas sociais ou interiores. Que o descontentamento seja a semente, e a esperança, promessa do vento. Que aprendamos a aprender com as tempestades e, que de uma vez por todas nos desabituemos a nos habituarmos. Sempre é tempo para se fazer gigante, nunca é tarde para acordar. Um brinde às possibilidades da próxima página dentro e fora da gente!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Além...

Não, você não irá mais longe. Você até pode ter mais, muito mais do que já tem, mas isso não significa que você alcançará mais. Você poderá conquistar, desejar, ambicionar, acumular, por anos a fio daqui pra frente, mas ainda assim você não se contentará. Não será colecionando eletrônicos, carros, viagens, números na conta corrente, amantes, admiradores que satisfarão você, e sim se desfazendo do que não lhe serve mais. Não será dando boas vindas às novidades e externos confortos, e sim se despedindo do que aparentemente não pesa na vida que te fará confortável e leve sobre os teus próprios pés. Você reuniu o que precisava para se enraizar na terra e se sustentar, precisará agora saber as tuas asas. Você subiu todos os degraus, agora é a hora de saber das alturas. Você já experimentou todos os caminhos deste labirinto, deste mais do mesmo, e sabe o que irá encontrar. As tuas necessidades são outras; não com acúmulos, mas com desapegos; não mais com números, mas com o teu interior. A quantidade nos preenche; a qualidade nos alimenta. Não, você não irá mais longe, porque na verdade você não precisa ir mais longe. Você irá para dentro.

domingo, 9 de junho de 2013

Das intimidades...

A palavra nunca é impessoal, distante, independente. Elas acontecem em nós em seus efeitos, como uma continuidade de nós que se dedica a existir para os nossos inteiros olhos. A literatura guarda nossos sonhos, ilumina a razão, explica nosso espírito, salva nossas memórias. As palavras ganham seus contornos pelo olhar de quem as reconhece. Devemos ter intimidades com as letras.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Imenso...

Hoje é dia
a chover-me as bençãos
que me inunda inteiro
e me faz riacho
a saber sereno
imenso de mar

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Me Abismo...

Ando namorando a quietude dos abismos em que nos silêncios me descanso. Ando florescendo a quietude dos silêncios em que nos abismos me aguardo. Ando aprendendo a quietude dos descansos em que nos silêncios me abismo. Sem namorar os velhos padrões-de-mim, sou a novidade de um Amor que por inteiro se entrega, sem volta e em busca no outro de si mesmo.