sexta-feira, 26 de abril de 2013

Transcendências...

Eu até então não havia parado para pensar na verdade oculta em frase de sabedoria popular que por vezes repetimos mas, plantar uma árvore, ter um filho ou escrever um livro são estilos de transcendência e jeitos de eternidade. Cada um destes três atos e atitudes são caminhos que nos revelam as distintas dimensões da nossa existência ante a Existência. Cada um deles busca nos significar nas dimensões da natureza, do Amor e das humanidades que nos constituem, dando-nos ainda que com um breve lampejo de consciência, o sentido e a razão da nossa própria vida diante do tempo, além da coerência e da harmonia latentes sob o estado de coisas aparentemente caóticas que, falsamente se apresentam como acasos, inconexas escolhas ou provisórios e menores objetivos da nossa história pessoal. Cada um destes verbos revela um sentido criador, que se confessa quando deixamos nosso habitual estado de criatura para nos revestirmos deste temporário e sagrado poder e, imersos no atemporal e no transcendente, trazermos à linha dos destinos, um significado que nos continue. Diante do inevitável fluxo do tempo e das coisas, o criador no ato de sua criatividade, a si mesmo se basta e ali se eterniza, dignificando a ação e sacralizando o estado em que se "é" enquanto se cria, mesmo que sua caminhada individual seja uma coleção de acidentes e permanentes e mundanos equívocos. Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro são, entre alguns outros, degraus para a nossa completude, e permissão para um encantado estado de conceber e transmitir, em que nos tornamos um perene eco diante do infinito e do vasto, independentemente do fruto realizado.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Doces e cruas...

Caminhamos em círculos, pegamos atalhos, pulamos degraus, corremos contra o tempo, ficamos em cima do muro. Preparamos resposta, ensaiamos sorrisos, combinamos roupas e intenções, encaixamos nossos sonhos em planos e os planos na nossa falta de tempo, ou de dinheiro. Vendemos as horas do dia para comprar as horas da noite. Envenenamos o corpo e queremos libertar a Alma. Por hábito, cultivamos medos e mornos tons de cinza. Nos apegamos aos detalhes e perdemos o principal. De inúmeros jeitos nos poupamos e nos desperdiçamos, conforme doces ilusões ou as cruas verdades que carregamos. Até o amor em nós chegar...

terça-feira, 16 de abril de 2013

O Amor requer...

Levo o teu café na cama, para que não queimes tua mão lá na cozinha. Deixo-te em paz sozinha, para saudade tão logo aumentar. Levo você a caminhar, para que não te percas do caminho de volta. Escrevo-lhe verso e prosa, como razão para namorar. Vou ao cinema contigo, só pra te ajudar a entender a trama. Vou com você pra cama, a espantar seu medo bobo do escuro. Digo, canto, bordo e juro, se assim você me pedir. Repito: "eu jamais vou desistir", depois dos teus desvarios de humor. Elogio e aprovo com louvor, qualquer tentativa de receita sua. Quero você inteira nua, para me servir de cobertor. Beijo intenso a boca tua, para que discutir você não possa. Lavo, passo e cozinho, pra que a casa minha seja também a nossa. Usamos dos pretextos mais requintados aos mais descabidos, para se estar com quem tanto gostamos. O Amor requer, feliz, destes cuidados.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Bem-aventurados...

Bem-aventurados aqueles que namoram a clareza real das coisas, e que sabem no que verdadeiramente se descansa o coração: o sentir sereno nas marés de nós. Quando desaprendem os olhos a ver os confusos reflexos da vida, aí então passamos a enxergar mais além do nosso próprio tamanho. Assim, as 'verdades-de-nós' namoram com as maturidades que nos ensina o tempo, em que adormecer desnecessários medos e escolher melhor nossas batalhas serão inevitáveis escolhas apenas e quando a alma colecionar suficientes cicatrizes. Não alcança o céu a bela árvore sem antes doer sua semente. Cumpre ao amor em nós como fruto, afinar o nosso olhar, despreocupando-nos com o que somos fora para amanhecermos por inteiro dentro.

Os olhos diminuem o mundo. O amor o revela na alma.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Zodíaco...

Regido pela soma das minhas escolhas e não pelos signos do Zodíaco, lanço-me à exclusiva dedicação ao agora, este apertado espaço em que sozinha, saudade não arranja tempo para crescer, ou que sonhos recém-nascidos não alcançam velocidades para voar. O agora é lugar em que as dúvidas não se servem das paixões para nos amadurecer, e onde jamais saberemos nome de qualquer fruto ou das nossas razões para existir. Por isso, aqui, impeço dores com ausências, faltas com vazios e corro das saudades por não cultivar memórias. Evito rugas na Alma por não me permitir entre os sorrisos, chorar também. Assim, eu sou minhas estéreis e mudas certezas, pois nas inexatidões do amanhã que não habito, não sofro, porque não sinto. Talvez quando souber verdade de água, que se entrega aos contornos do tempo a se dessaber rio e se desaguar mar, eu venha a ter a sorte daquele que morre de Amor e arrisca ser feliz.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Livro: A Ilha de um homem só.

Eu jamais imaginei que um dia, Ilha ganhasse imensidões de mar, em que eu pudesse me saber palavra, e que palavra ganhasse jeito de ponte, porto e abrigo. Não sabia que um dia, poesia pudesse me levar pra tão longe e trazer você pra tão perto, ou que o infinito soubesse algo das reticências, e que verdades e mentiras namorassem nas entrelinhas. Eu, que aprendi também a ser ponto final sem machucar, travessão e não dizer, silêncio e me confessar. Eu, tão inexato, aprendi a ser preciso ao te alcançar; ao revelar na escrita aquilo que nós nem desconfiávamos. A Ilha é na verdade, continente, em que habitam todos os nossos possíveis. Vim lhe contar das versões de nós que reconheci nas marés-de-mim...