sexta-feira, 29 de março de 2013

Esculhambar...

 Não importa o quanto você pense, 
calcule, planeje, ensaie e se assegure. 
A Vida se dá ao direito de esculhambar tudo 
e lhe dar algo completamente inesperado. 
E muito melhor.

quarta-feira, 27 de março de 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

Apaixonado...

Quando algo me alcança e me atinge, e a vida me balança e me transborda, nascem as vontades de escrever. Escrevo quando pela Alma sou provocado, desejoso em me derramar palavra nas linhas do que não me cabe; engarrafar nas letras as marés de dentro e tudo o que explode em mim. Um exemplo de maior razão é o Amor, que em nós chega e nos arranca dos nossos habituais confortos. O Amor que mais magicamente nos inspira e nos abate, excede, transcende e nos imerge é quem movimenta as mãos e linhas que nos imensa e nos faz dizer da janela da poesia as coisas exatas. Ali, estou num profundo estado de encantamento. Ali, estou verdadeiramente apaixonado.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A lucidez dos loucos...

Há em nós a lucidez dos loucos, mas não daqueles loucos tão comuns que habitam este mundo em cada esquina. Somos da cota de loucos que não aceitaram suas prisões e que não entraram por liberalidade em suas gaiolas. Que não se amarraram ao outro com suas correntes. Somos desta fração da loucura que abriu mão do seu mais do mesmo, das metades, do estritamente previsível e da ausência dos suspiros ou dos sonhos possíveis.

Há em nós a rebeldia dos que não se contentaram com o peso da realidade e abriram as novas portas, e as idéias, para além dos seus meros reflexos, em busca de alcançar o horizonte.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Urgências e culpas...

O passado que não se fez presente hoje sufoca minha alma e oprime o coração; choroso por um dever-ser que não se é; e por um antes que devendo ser, não o foi. O fato é que disso eu morri, há mais tempo do que supões; morrendo logo nos primeiros momentos de nós dois, com punhal cravado e farpas sujas de raiva em mim jogada. Confesso: fui covarde em negar que eu já havia partido ainda que estivesse aqui, ancorado no medo e nas ilusões a confundir-se em esperança e negar a causa mortis. As correntes, outrora laços, cortaram minha vontade e adoeceram minha alma. Perdoa, mas hoje sou a sombra do amor que um dia viveu em nós, mas que partiu e que de mim restou. Segurei-me no amor em seus espinhos, enquanto você nos arrancava pela raiz. E da terra fértil repousado o coração, nada mais alimenta. Perdoa por me fazer teu cativeiro de sentimentos amargos. Hoje, fujo de mim; hoje me escondo de nós dois. Lavraste no ontem tua própria sentença a ser paga na clausura do mais bonito que em mim adormecido está. Perdoa por não te perdoar quando ainda criminosa, pois pagas agora pena ditada pelo meu desespero, mas que já cumpriste. E já curada, sou eu o enfermo a recusar remédio das tuas mãos e exigir a luz por ter se permitido cegar. Paz fora bandeira alva que rasgaste a um alto preço, o território santo de minha sanidade entregue às mãos do futuro a varrer tristeza, e que chegou, embora tarde demais. Perdoa também por não te libertar quando tive a chance de me libertar, pois hoje sou violento moribundo preso no próprio sonho. Sonho que se sonha só, a ressuscitar os monstros que fantasiastes tua conduta passada. Você veneno, eu castigo e, devo dizer que, sendo a culpa minha, ela a ti também pertence.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Sobre a poesia...

Poesia é caso de amor entre o espírito e as palavras; jeito do coração dizer ao outro a sua prece. Poesia é declaração nua da beleza que dela nem todos entendem. Pois são as pessoas, desavisadas dos olhos; não entendem por não se afinarem com as entrelinhas. Eu falo por elas e por elas me faço. As palavras são todas emprestadas do silêncio, que uso a confessar meus sopros vestidos de ideias, minhas alegrias e tempestades. E ainda que poesia não fale de mim, nela deixo meu perfume em cada verso; nela traço um mundo meu em cada letra. Poesia é tecelã habilidosa em costurar o sentido da doçura e da sutileza na vida nossa. Gosto de pensar que sou seu aprendiz. Poesia tem um papel de ponte, levando os olhos à Alma, as cores pra dentro e a vida pra fora. Poesia é igualmente o barro do artesão, a tela do pintor, o rasgar da semente, o parto de toda mãe, o prazer da criação, o êxtase do amor. Oficio sagrado este de traduzir a verdade e seu avesso que se escondem nas sílabas, a loucura e o saber que habitam as criaturas, o céu e a terra que se conversam em cada horizonte, a vida e a morte que se permeiam em cada um de nós. Abençoado ofício; nobre e inevitável destino. Afinal, existem os sãos, existem os vãos, os loucos e os normais. E existem os poetas.


(Guilherme C. Antunes, vulgo "eu", em 11.10.11)

quarta-feira, 13 de março de 2013

Jogo...

Cada encontro de dois é peça de jogo complicado na vida de cada um. E quando depois de muito quebrar cabeça, a gente percebe que não há quantidade certa de peças ou encaixes perfeitos. Talvez, o jogo seja a própria e única peça que a vida gosta de pregar na gente.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulher...

A poesia nasceu mulher. Assim o homem se fez poeta. Sem ela, cenários de terras inférteis e cinzas cores. Sem ela, inexistentes as artes e paixões. Sublime criação que deu à vida algum sentido. Aos papéis que o sagrado feminino veste: mães, irmãs, filhas, amiga e amante, doou seu próprio nome às doçuras e à Alma, à terra e às lágrimas. A eternidade. Mulher que nos ensina a ser inteira entrega em suas escolhas; a ser Amor imenso em seu perdão. O céu e o azul ganham charmes pela Lua; e qual dia não lhe dedica o sol a branca luz? Dedico em gratidão a vocês, minhas palavras...

E o Amor é outra coisa...

Pois bem! Paremos então de ser movidos por romances como se na vida nós só nos movêssemos por eles. Paremos de ser romanticóides! A vida na sua própria realidade já contém a quota de poesia necessária aos olhos e à própria vida. Não precisamos viver de livros de banca de jornal, novela das oito ou de escritoras-pop pra consumir e ter aquilo que não temos. Não precisamos acreditar na ideia de que só seremos inteiros dizendo sim no altar ou num cavalo branco a nos levar em direção a ideia de um amor-eterno. O mundo está recheado de amor-eterno que no dia seguinte se torna outra coisa. E não, não há erro nem pecado em desfazer os laços e escolher com outro a versão mais nobre de si. As nossas escolhas diariamente nos definem; ainda que sejam as mesmas. Não precisamos aceitar que a nossa vida é cinza porque não se sente borboletas no estômago ou porque não somos correspondidos. A angústia e o vazio nascem por acreditarmos em histórias pra boi dormir e idealizar a vida como pano de fundo para nossos romances com finais felizes de príncipes encantados. A vida não é isso, a vida não é só isso. Ela vai bem além. E o Amor,  o Amor é outra coisa.


(Texto originalmente escrito para o espaço "Sala de conversa".)

quarta-feira, 6 de março de 2013

A responsabilidade do poeta...

“A responsabilidade social do poeta se dá, antes de tudo, em relação à língua. Ao exprimir o que outras pessoas sentem, também ele está modificando seu sentimento ao torná-lo mais consciente. Ele está tornando as pessoas mais conscientes daquilo que já sentem e, por conseguinte, ensinando-lhes algo sobre si próprias”.
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(Maria Lucia de Lima Magalhães Moreira)

terça-feira, 5 de março de 2013

Descabimento...

Quando saudade não coube mais na espera, 
despedida se tornou silêncio, 
e corpo se esvaziou de Alma,
doei às palavras a minha própria solidão. 
Tornei-me poeta pelas urgentes dores 
que me trouxe o tempo...

segunda-feira, 4 de março de 2013

Quando foi preciso...

"Você disse não quando foi preciso. Sempre essa coexistência inaudita, esse balanço trágico entre uma igual energia para viver e para morrer. Sempre esse sentimento desesperado, leve, que a mantém viva, apesar de tudo. Sei que você vive com a exatidão do desespero, às vezes você esquece, você diz que o céu está azul, você diz que me ama acima de tudo no mundo, então você sorri e acredita em todas as palavras, tudo se torna verdadeiro, e nós rimos dessa loucura. Nós estamos, você e eu, diante de uma mesma linha que não atravessamos. Ficamos do lado de cá, na despreocupação dos dias de verão. Sempre, no primeiro olhar levado de um para o outro, a crueldade de tanto amor".

(Yann Andréa)