quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Cafona...

Eu espero que você chegue em casa bem, porque sinto que eu mesmo nunca mais vou voltar. Ainda me ardem na mesma nota e intensidade, as saudades que levei quando deixei você partir. Não me aliviará o tempo o que agravará a espera. Por isso Amor, jamais regressarei de ti. Você não cabe mais em mim do jeito que cabia. Você tem o tamanho exato do meu Amor desmedido; não sobra nem falta, transborda. E desde que seu toque criou mundos e amores inteiros dentro de nós, sofro das inexatidões do Amor que me afogam, e de amorosa ressaca pelas palavras que não disse: "preciso ser o outro lado do teu abraço; quero te ver tão logo o dia se apronte nascer de novo; quero lhe dedicar meus infinitos e paisagens". O teu Amor é a janela em que amanheço. E guardo somente para os teus olhos o que jamais saberão os outros. Despertas em mim as flores insuspeitas! Assim, eu nos encontro nos detalhes de liberdade que tingem nós dois de céu, nas curvas tuas que sussurram meu nome e me devolvem identidade. Pois no Amor também me desconheço; não tenho tempo para ser eu mesmo. A partir de hoje eu serei porque tu és. Eu sou porque aqui estás. Amada, peço, salve-me dos lugares que não te encontras, para que eu possa ganhar algum sentido e ter alguma graça. Veja que por culpa tua, falo apenas de Amor. Repito finais felizes, bordões tantos e suspiros muitos. Afinal, amar é se permitir ser cafona por pleno direito, não é? Afinal, depois de ti volto a ser uma porção de palavras novamente. Um imediato alívio mas que não sossega, já que agora tudo o que sabemos e lembramos um do outro serve para detalhar melhor nossas saudades. E enquanto espero, dedico a você as linhas mais bonitas nas ausências que sinto. Na poesia, quando venho beber de ti, sacio a falta de mim. Aqui me despeço das minhas tristezas. Aqui, venho às palavras para ver você. E saiba que se você não aguentar e pelas distâncias morrer de amor, terei que junto morrer também, pois o Amor segue entregue aos seus inevitáveis destinos. O meu por ora é sofrer de imensidões pelo que você me trouxe e viver do vazio que sobrou quando você se foi. O mundo se desbotou por nós termos ficado coloridos demais...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Romances...

“Parar de leer novelas exige mucha fuerza. Hay que tener ganas de vivir, de correr, de crecer. (...) Me interesé antes por los libros que por la vida. Desde entonces, no he cesado de utilizar la lectura como un medio para hacer desaparecer el tiempo, y la escritura como un medio para retenerlo.”

(Frédéric Beigbeder)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Despertenço-me...

(...) no teu nome busquei salvar esta parte desenganada do tempo e da distância que mora em mim. Hoje, despeço-me da vontade de voltar para os meus habituais lugares. Aqui, despertenço-me da vida que antes não ousou saber de ti. Porque na tua presença vivo, morro apenas para renascer, pois o Amor nos devolve às nossas inteiras eternidades. Se um dia precisar voltar, vou-me sem nunca mais partir. Devota das noites aos desejos e dos dias para os sonhos, acusa-me o amanhã por contar histórias que vivem em nós, mas que as memórias ainda não souberam. Rouba-me as horas e desnuda-me o medo quando, visto-me com os lençóis da tua cama. Enfim, eu sou a tua própria casa.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Caminhada...

As palavras para o escritor são os passos dados ao alcance do horizonte. Inventamos caminhos e formas de caminhar, tropeçamos, caímos, cansamos, mas prosseguimos na inevitável fuga e no encontro de nós mesmos. Jamais deixamos de caminhar. Jamais paramos de escrever...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O menino-lápis-de-cor e a girassol...

Aos desavisados olhos, digo uma verdade: existem certas estórias que não contam com pé nem cabeça. Algumas nascem apenas com pétalas, cores e por do sol. Assim, era uma vez um menino-lápis-de-cor e uma girassol. Que se apaixonaram no quintal atrás de casa, quando mataram sede no mesmo riacho de poesia. Girassol gostava das prosas que o silêncio do menino inventava, e também das mãos que descoloriam os cinzas das coisas. Menino admirava girassol quando vestida de sol e enfeitada de flor chamava sua atenção para os milagres. Com exatidão, sabia ela apontar lado iluminado da vida que menino desconhecia. E fazia das abelhinhas, sílabas dançarinas a levar doçuras por aí. Menino gostava de tudo nela: caule, folha, flor e perfume. Girassol só não gostava das habituais distrações do menino, quando este saia para colorir ventos e desenhar horizontes em que se descansava e se esquecia por dias de voltar. Com ciúmes, começou a querer primavera toda para ela (que os invernos se espalhassem nos jardins alheios!), para que o menino fosse beber das cores tão-somente no seu amarelo. Resignada com tristeza de orvalho, sabia ser ele prometido ao azul do céu. Trazia os frutos de um amor sem raíz. E do jeito avesso do menino-lapís-de-cor que apontava caminho, desapontava as promessas, desenhava levezas e apagava amargos, coloria girassol de ouro-riqueza, sol-sabedoria e quindins. Às noites em que ela não trabalhava, pedia baixinho às estrelas para que se tornassem livro, a viverem juntos do outro lado das palavras. Atendeu dona poesia com carinho, tornando-os cor e personagem. Viraram quadro de Van Gogh.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Até o precipício...

Sempre nos falta alguma coisa até chegarmos ao precipício. 
A partir daí, abandonamos tudo, inclusive as nossas crenças...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ser feriado...

Hoje -como tantos hojes- é mais um dia apressado...
Uma manhã que espera ser almoço.
Uma tarde que aguarda depois do trabalho.
Uma semana que deseja ser feriado.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O livro de vocês...

Aos mestres da técnica de não saber o que estão dizendo. Aos teóricos da refinada arte de falar e não dizer nada. Aos baluartes da sabedoria do "ouvi falar" e "ouvi dizer". Aos excelsos portadores das verdades que lhes convém. Aos ilustres sabedores de respostas para tudo. Aos egrégios eleitos que versam saber o que é melhor para todos nós.  Aos moradores do templo das ideias inférteis, opiniões imbecis e crenças vazias. Chegou o livro de vocês... 


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Suficiente...

Não percebia que enquanto caminhava, deixava menina cair de suas mãos, sementes. E o tempo senhor das promessas mudou as velas da sua vida. Quando menina ali voltou, colheu cores, laços e pés-de-sol. Agradeceu sem se dar conta que ela também era a razão do florescer. Sorriu, era o suficiente.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Permissões...

  "Quando se ama, 
faz-se do impossível, possível;
faz-se do possível, provável;
faz-se do provável, certeza;
e da certeza; lembrança.
O Amor é a mais incerta das garantias..."

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Como for...

Seja como for..
Seja como formos..
.. somos lindos, como somos.