domingo, 17 de novembro de 2013

Repousos...

Amor, tenho urgências para dormir contigo. Sim, dormir para ganhar verdadeiras intimidades com teu corpo, com tua alma e com a tua despretensiosa e entregue horizontalidade. Preciso dormir contigo para despertar outras dimensões e vontades de ser teu. Quero dormir contigo para daqui em diante não mais te procurar no meu sonhar; desejo o descanso daquele que encontrou. Suplico para que durmamos juntos para ser contigo versão de mim que desconheces, a de que sou Amor mesmo em repouso; que embora inconsciente, sou resoluto e lúcido Amor. Logo eu, versado na arte dos descansos, contigo ainda não fiz dueto. Preciso dormir contigo para que esta seja minha incondicional rendição, quando desnudo dos medos e de mim próprio, permanecer tão-somente Amor para tuas presenças. Se fazer amor contigo é declaração de intensas sonoridades, quero agora me declarar para ti deitada sobre os silêncios. Preciso dormir contigo para, na verdade, adormecer as despedidas e, do outro lado da noite, saber você comigo nos dois lados de mim.


“Fazer amor, sim e sempre. Dormir com mulher, isso é que nunca. Dormir com alguém é a intimidade maior. Não é fazer amor. Dormir, isso que é íntimo. Um homem dorme nos braços de mulher e sua alma se transfere de vez. Nunca mais ele encontra suas interioridades”. (Mia Couto)

2 comentários:

Francisco Teles disse...

Belo texto, expressa bem a maneira que penso sobre isso. Talvez o amor seja feito apenas desses gestos verdadeiros, gestos íntimos que vão além da nossa concepção, além do que os demais atos são padronizados pelos pensamentos a nós oferecidos pela mídia, portanto superficiais. Parabéns

B. disse...

Dormir com alguém é o ato mais íntimo que se pode ter, é um encontro que existe entre duas almas e dois corações. Belo texto!