quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Estrada...

Já havíamos nos feito frutos antes de nascermos para os dias. Você é o Amor que já sabia antes de me haver no mundo. Vesti-me de semente para florescer teus olhos; tornei-me riacho para ao mar saber amanhecer. O tempo veio, de longe, e ainda canta para nós. Canção feita para celebrar sentidos. Cuido do Amor para ser teu nome e tema que versam o canto dos pássaros. Depois de ti, o mundo nasceu sentido, e o peito cambaleia, aumenta e dança sobre os presságios. O coração, tonto e arrítmico, desliza. Sem onde, abri estações nas funduras dessa noite. Sem quando, abrigo um futuro decorado na boca, entre as distâncias em que apenas os sonhos estão permitidos atravessar. E é aqui, na fusão de todas as cores, que os dias aprendem a beleza do teu nome. Aqui, na desnecessidade de todas as vozes, que o Amor aprende a ser, em silêncio, um sonho lhe derramando em pensamento. Aqui, onde a poesia nos tingiu de céu e de sol, e onde bebo e como da tua presença. Aqui, sou, porque tu és. Estrada a caminho de mim.

(Guilherme Antunes & Priscila Rôde)

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