terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dissolver-me...

Conta-me Vida, como fazer para não-ser. Dá-me qualquer coisa, desabriga-me desta angústia que me corrói a cada respiração em que sou. Desata-me os laços contigo, Vida. Torna-me qualquer coisa que não eu; uma inesperada benção de inconsciência, vez que sinto as agudas contrações do existir. Cessa-me de pensar, a passar ao largo dos desesperos. Acolha-me por piedade, na tua escuridão para que eu não veja a tristeza que me tornei. Aniquila-me Vida, mas não me deixe assim, diluído nesta metade de mim. Conceda-me a ignorância das pedras, a inocência dos animais, a distância das estrelas ou o desapego dos arcanjos. Deixa-me ser apenas a dor de riacho que se despede a se fazer mar. Oculta-me o mistério do teu viver, já que a minha paz encontra-se do outro lado das tuas paredes. Cala-me Alma com inundação a levar de vez meus desejos e esperanças. Deixa-me Vida, imerso num nada, pois lá é o meu lugar. Meus silêncios choram, os amanhãs são estilhaços. Permita o sol desmaiar nas minhas sombras; coração pulsa apenas por não ter saídas. E num resto habitado de mim em que alimento amor às causas perdidas, quanto mais luto, mais sangro. Agraciado aquele que não (re)conhece mais o Amor. Eu, eu sinto muito. Sou a poesia de uma flor que já morreu...

3 comentários:

Wendel Valadares disse...

"[...] Acolha-me por piedade, na tua escuridão para que eu não veja a tristeza que me tornei..."

Hoje seu escrito é meu poeta. Obrigado por me ler.

Um abraço.

Poeta da Colina disse...

A vida não é tudo que se pede, apenas o que se precisa.

Anônimo disse...

<3