terça-feira, 1 de outubro de 2013

Chances...

Antes e para além de quaisquer conquistas, pertençam elas à dimensão do mundo ou do espírito, essencial se faz estender o território do teu ser para o retorno do amor-próprio. Sem ele e sem isso e te encontrarás apenas ao sabor dos erros e das marés, numa jangada frágil de boicote, visto que devemos escrever o destino a partir da nossa força, jamais do medo e da fraqueza. Com dedicada atenção, descubra aquilo que merece ser descoberto, e carregue consigo aquilo que merece ser carregado. Reaprenda o charme daquele que se pertence, seduza novamente os milagres e convide levezas para dormir na tua cama. Deixe que os teus amanhãs sejam mais generosos contigo, e você com eles para, nas eventuais inundações do porvir, encontrar nele suas sementes. Dê chance aos imprevisíveis e lugar aos inesperados. Resgate-se, à força se necessário, das longas mãos dos teus enganos; pregue serenidade à tua própria boca para, reensinar ao coração quem ele realmente é. Ajuste a sintonia entre os teus olhos e a tua própria vida, e reaprende a ver, desde os detalhes que nos salvam, as palavras que nos acolhem até a dimensão mágica e oculta que nos permeia, aquela que dá razão e sentido à dor da semente para saber-se flor e concede às lagartas a vitória em renascer avoada e colorida. Assim, não relute em sentir-se o único responsável pelos ventos a soprarem tuas velas. És jornada de muitos convidados e possíveis. Relembre que o tempo é tecelão habilidoso em revelar caminhos, costurar feridas e dispensar aqueles que conosco já cumpriram sua viagem. A difícil arte das despedidas; a dolorosa temática das saudades. Aceita-te como teu mais bonito e duradouro caso de Amor. Por isso e para isso, antes, aceita-te! Conceda a ti mesmo, o gosto dos amargos, para aprender o doce ou do que nem gosto tem, e não alimentes mais em ti aquilo que deves matar pela fome. Com sabedoria, inevitavelmente dispensarás desnecessários conflitos e descartarás os frutos que não mais enfeitam tuas paisagens. Eduque a coragem para enfrentar os monstros que ganham vozes na solidão e aprenda a reconhecer qual dos teus atos é patrocinado pelo medo, e este, promovido pela falta de fé em ti. Que sejas digno de caminhar sobre teus passos, e perdoe sempre aqueles que desconhecem a direção dos próprios pés. Que os teus cinzas se calem e a tua dor emudeça, diluídos na luz da tua própria existência. Não dê chances ao que te quer metade.

5 comentários:

Andrezza disse...

Que texto lindo, Guilherme!!
Sou tua fã desde há muito no Twitter, no Blog, e agora te leio sempre pelo Facebook.
Parabéns e obrigada pelas belezas que você escreve!
Amei!

Ana (Ballet de Palavras) disse...

Guilherme,
Belíssimo!

Seus textos assemelham-se a doces melodias.

Um deleite e, um prazer.
Ana

Clarissa disse...

Guilherme, adorei encontrar seu espaço. Senti como se alguém me entendesse. Obrigada.

Clarissa

Alexandre Lucio Fernandes disse...

Dê chances ao que anima o inanimado dentro de ti. Poesia que desanima a metade que por vezes se aproxima para intervir. Dê chances ao que revigora e se faz denso na tensa esperança que te satisfaz. Lindo meu nobre!

placco araujo disse...

Não cou mais um contumaz leitor de blogs e conheço muito pouco dos teus textos, mas devo dizer que gostei muito deste teu texto "CHANCES", e ao relê-lo agora, gostei muito também de "FÉRIAS".
Se fosse na linha da Ana (Ballet das Palavras), diria que poderiam sim ser melodias, mas talvez num tango de Discepolo.

Parabéns!