domingo, 6 de outubro de 2013

A verdadeira história...

Era uma vez menina que se enamorou do Sol no inexato instante em que poisou dourado na janela, num dia cinza de dentro e fez menina inteira amanhecer. Desde então guria vestiu poesia e perfume, cabelos negros de fita cor de lume, a lhe esperar chegada no partir das madrugadas. Sua mãe notava estranheza quando devagar voltava tristeza, de menina já posta à mesa bem na hora do jantar. Quem iria imaginar? Os sonhos longe de casa aconteciam, deitada no jardim ao meio-dia, hora em que mais amada se sentia. Aquilo era Amor intenso que de felicidade imensa transbordava! Era agradecida ao celeste namorado por dar frutos no quintal pra sustentar seu pai e sua mãe. Ele de caloroso carinho pra nunca deixá-la sozinha, deu sombra ao seu corpinho e trabalho às andorinhas. Com exceção das noites, pra onde menina se dirigia, ele também se encaminhava. E na hora que a chuva aparecia, menina também não se importava, pois da casa dela saia com bonita capa dourada, como recadinho silencioso e secreto de saudade. Nada disso mudou com a idade! Enquanto menina crescia, paixão cada vez mais aumentava. Com alegria, o nascente a amava se sentindo toda prosa, mas do poente se esquecia ao lembrar no fim do dia que o Sol se despedia e só permanecia a dor chorosa. Menina perdeu sua poesia para as saudades. Passou a ter ciúmes das estrelas. Acreditava que cada uma era antigo namorico do astro-rei e que suas cintilânciazinhas distantes eram apenas triste lembrança da ausência de um Amor que fez tudo em volta anoitecer. Era mesmo de doer! Angustiada, pediu ajuda aos passarinhos. Num descuido do tempo, seria por eles avoada até o alto, a esperar miúda atrás da lua a sua vez, a sua chance. Quando Sol ainda se espreguiçava, sussurrando mansa luz por entre as manhãs, menina se lançou para os vazios. Caiu. Jamais alcançaria por si o seu Sol. Era uma queda funda atravessando os céus azuis. Caia com toda velocidade e sua falta de sorte. Mas não tinha jeito, só cabia Amor demais dentro do peito, nunca nem jamais a própria morte. Amansou-se na gravidade como pétala. Engravidou-se de amarelos. Menina viu-se feliz a renascer, sem precisar nem por um triz ter que morrer. Sua pele a cor do branco giz, cabelos cor do sol. Caiu-se no mundo girassol.

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