quarta-feira, 15 de maio de 2013

Platônica...

Sou meus cigarros à sua espera; sou meu café e mais dezenas de canais sem nada demais e que não me distraem. O que me resta hoje é uma madrugada infinita, insone e triste; em que vou preenchendo meus vazios e cultivando minha desmedida aflição, sem tuas palavras a me falar sobre a vida, sem tuas cores a brilhar os meus olhos, sem tua música para os meus ouvidos. Pois era você quem tanto se fazia presente aqui dentro a me distrair da vida lá fora. Tantos anos contigo e desde o começo você me encantou. Não te namorei porque isso era impossível, você bem sabe. O tempo passou e incontáveis foram os meus sorrisos, minha inteira entrega e fiel devoção. Os muitos problemas que tivemos nunca diminuíram minha admiração ou minha atração por você. És sedutora como jamais pensei que pudesses ser. E entre altos e baixos, agora era demais. O teu silêncio tornou minha casa insuportável. Tua ausência denunciou que eu não sei mais o que fazer longe de ti. Se você não retornar até amanhã, não saberei dizer o que será de mim, ou dos meus dias seguintes. Vou ligar para quem deva ouvir meu desespero. Gritar minhas ruínas. Exigir o tempo que não volta mais. A minha internet sem conexão. O atendimento ao cliente é péssimo.

2 comentários:

May Almeida disse...

Bonito texto Gui !

Alexandre Lucio Fernandes disse...

É tudo tão real que se alinha no coração com força. Como ficar mais tempo sem? Acostumamos tanto àquela presença que parece fazer parte de nós. Grite. Reivindique seus direitos.

Belo texto.

Abraço!!