quinta-feira, 2 de maio de 2013

Pecados e parabéns...


"Quem gosta de abismos, tem que ter asas". 
(Friedrich Nietzsche)


"O que eu fiz com a minha vida?", foi pergunta que hoje calou meu sono. E eis a conclusão de inevitável e doída resposta: eu não sei! Até então fui uma coleção infinda de atalhos e planos "B", em que os meus sucessos até aqui foram quase todos de improviso. Aliás, eu sou por inteiro um improviso! Quantas mentiras não criei e não mantive vivas com a ajuda de outras tantas, a preservar precárias e moribundas felicidades? Sou uma deliciosa ilusão mas que não convence, uma promessa mal cumprida, rascunho genial que nunca saiu de um papel. Só eu sei o que reservei em mim para prosperar jardins e nobrezas, quando pouco me dediquei às sementes. Hoje, sou um descontente inverno que já soube ser primavera. Além das teorias de liberdade e práticos pecados, a mim me bastam as angústias todas por não-ser, pois tudo me pesa e me condena sem precisar sair do lugar. E não ter saído do lugar talvez seja mesmo a questão. Dispensei milagres para me satisfazer com cotidianos prazeres. Preguiças, cigarros, amores sem altitude, repetições de um mais do mesmo e zonas de conforto. Os excessos do corpo, vaidades e fugas da Alma. Eu sou a afirmação do que não acredito, um displicente estado de espera, visto que moro no intervalo entre o que fui e o que busco ser. E até agora, o que eu fiz? Apenas me enfeitei de inconclusões. Meus sonhos se resumem a uma colcha de retalhos do que me sobrou das vontades e ideias de menino. Sou um casulo de esperanças, mas sem data para estrear. Eu sou um péssimo ator de minhas verdades. Cara e coroa sem decisão, uma sorte em queda livre. Aguardo inerte e quieto que a Vida me arranque deste eterno sono em que caí, e me enfie goela abaixo alguma rua-sem-saída, uma profunda decepção que me destrua e me arrebate desta espera angustiada que não põe fim a si mesma e então, envergonhado, não consiga manter-me igual, correndo o risco de renascer. Enquanto isso, sou uma adiada vitória das minhas alturas, navegante orgulhoso de acasos, anestesiada Alma por qualquer distração. Hoje, peço à Vida ser abençoado e necessário abandono, para que o que restar de mim daqui pra frente seja a minha redenção, para que os amanhãs me acolham e me recebam outro, inteiro. Para que a próxima página esteja em branco e o coração, preenchido. Para que entre os meus erros, esteja também o meu próprio perdão. Entre os meus apertos, um horizonte em que lá eu honre os meus possíveis. Por isso escrevo, como prece, para acender luz, como pedido de absolvição da minha própria consciência; como pedido de renúncia dos medos que não me traduzem. Agora é o momento de reaver as asas. Por isso escrevo, como se aqui eu pudesse me confessar e me lembrar do que posso ser quando me sinto livre e amo; e do que posso ser ao me libertar naquilo que escrevo.

7 comentários:

Florisbella disse...

Porque eu tenho vontade de aplaudir de pé aqueles que escrevem sobre si, e causam em mim aquela sensação alucinante (louca!) de que escreveram sobre mim melhor do que eu mesma escreveria?
A resposta eu não tenho, apesar de desconfiar que existe um pouco de narcisismo nela haha
Um beijo!
Flor

disse...

Estamos todos no meio-tempo do que somos e queremos ser - e talvez nunca sejamos, enfim, nada além do que já somos, somadas algumas cicatrizes e boas memórias.

Creio que tudo se passa no agora, ainda que esse agora seja um tempo morno e nebuloso. Agora não espere pela vida para te empurrar, se jogue no precipício do seu ser e voe em queda livre.

Muito obrigada pela sua visita, há tempos não recebo um estranho por lá :)

Solange disse...

a letra..
escrava do papel,
mas livre para mostrar-se
a quem quiser levá-la
nas nuvens do pensamento..

saudade daqui

bjs.Sol

sonhos, amor e vôos... disse...

...eu me enleio em cada um dos seus textos, poemas... A beleza da sua alma que inspira os seus pensamentos que são compostos dos mais profundos sentimentos....que tocam... que afloram os meus olhos e saltitam o meu coração. Um gde abraço...! (A pg do meu facebook agora, é composta do seu mundo com os devidos créditos).

Evanir disse...

Aconteça o que acontecer na minha vida,
nunca vou perder minha paz interior.
Quero Viver intensamente as pequenas vitórias.
Viver apaixonada pela vida!
Visualizar só coisas boas.
Quero fazer de tudo para sorrir mais, relaxar,
buscar um cantinho dentro do seu coração
para tentar ser feliz!
Quero dar amor, carinho, compreensão,
respeito, muitas vezes
ajuda muito mais para me sentir feliz
sabendo , que consigo amar
mais os outros que a mim mesmo.
Porque sua amizade é um bem preciso demais para mim.
Deus te abençoe e sempre te ilumine.
Uma semana vivendo na paz.
Beijos no coração carinhos na sua alma.
Carinhosamente..Evanir..

Mariana Leal disse...

Já estou te seguindo
seu blog é maravilhoso, convido você e suas leitoras a conhecer meu blog
http://toobege.blogspot.com.br/
beijinhos

Ketilen Paes disse...

Muito bom mesmo o seu texto. Não dá para parar de ler.